Em meio ao maior corredor de biodiversidade do Brasil, territórios indígenas lidam com a ameaça constante de empreendimentos predatórios e invasões que colocam em risco o meio ambiente e seus modos de vida. Para enfrentar essa realidade, a Associação dos Povos Indígenas de Trombetas-Mapuera (APITMA) tem desenvolvido, com apoio do Dabucury, o projeto “Protegendo a unidade territorial Mapuera do território Wayamu: Agentes Indígenas Ambientais em ação de proteção territorial”. A iniciativa, que abrange as TIs Trombetas-Mapuera, Nhamundá-Mapuera e Kaxuyana-Tunayana, localizadas no município de Oriximiná (PA), busca desenvolver ações de proteção e vigilância na região do rio Mapuera, capacitando jovens para o uso de tecnologias que fortalecem o monitoramento da região.

Uma das ações centrais do projeto foi a realização de uma oficina de capacitação em mapeamento envolvendo a juventude dos territórios. A atividade foi realizada entre os dias 16 e 20 de fevereiro e envolveu 30 pessoas, que aprenderam o funcionamento de aplicativos que são usados para mapear a região. Em seguida, os jovens foram a campo para demarcar pontos do território Kaxuyana-Tunayana, que ainda está em processo de regularização.

Quem explica esse processo é Roque Yaxikma WaiWai, presidente da APITMA. Roque conta que, após o trabalho de campo, os pontos mapeados deram origem a um mapa do território e que este material tem sido usado para orientar os vigilantes a construírem placas de identificação da área. Para o presidente, esse processo tem grande importância para a segurança dos povos indígenas.

“Esse mapeamento pode contribuir muito na identificação dos nossos mapas, também com nossa proteção territorial. Ele vai mostrar para as pessoas que não entendem onde está sendo ocupado, entendeu? Isso é muito importante, ajuda a proteger nosso território”, ressalta.

Mapear para proteger

Além da TI Kaxuyana-Tunayana, a atuação da APITMA também abrange aldeias das TIs Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Mapuera, que já foram demarcadas e homologadas. Esse amplo território compreende Unidades de Conservação estaduais e federais no Corredor Central da Amazônia, que se conecta ao Corredor da Biodiversidade do Amapá. No entanto, toda essa riqueza socioambiental vem sendo ameaçada por diversos empreendimentos predatórios e megaprojetos, como mineração, pesca esportiva, atuação de madeireiras e a construção de barragens e hidrelétricas.

Nesse sentido, Roque destaca que a proteção territorial é uma tarefa urgente dos indígenas. Além de seguir com o processo de mapeamento, os vigilantes, agora capacitados, também têm melhores condições de realizar o monitoramento da região. O presidente explica que os jovens se dividem em quatro grupos, cada um com seus aparelhos de celular e GPS, para realizar as missões. 

A liderança WaiWai avalia que o projeto Dabucury tem contribuído com o território em diversos níveis, sobretudo no fortalecimento dos povos indígenas. E que a perspectiva da comunidade é seguir com as ações de mapeamento e monitoramento para fortalecer ainda mais a proteção das TIs.

“[O Dabucury] ajudou na demarcação, ajudou a fortalecer nosso povo também, na proteção territorial, do meio ambiente, dentro do nosso território, dentro do nosso limite. Isso é muito bom, os outros que se interessam em chegar e entrar no limite dos nossos territórios, já tem ponto [de mapeamento] registrado também”, destaca o presidente.

Sobre o Dabucury

Frente às ameaças de desmatamento, degradação ambiental, causadas por diversos  fatores de pressão nas terras indígenas, tais como o agronegócio, mineradoras e demais empreendimentos de infraestrutura, nasce o projeto “Dabucury – Compartilhando Experiências e Fortalecendo a Gestão Etnoambiental das  Terras Indígenas da Amazônia Brasileira”, uma iniciativa da CESE e da Coiab,  com apoio do Fundo Amazônia/BNDES, a fim de apoiar projetos de gestão territorial e ambiental indígena, no intuito de avançar na implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e viabilizar o acesso das organizações indígenas aos recursos para realização dos seus projetos.