Mulheres indígenas: força, liderança e defesa dos territórios da Amazônia

Celebrado em 5 de setembro, o Dia Internacional da Mulher Indígena foi instituído em 1983, durante o II Encontro de Organizações e Movimentos da América, realizado em Tihuanacu, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, liderança indígena assassinada em 1782 por sua participação na rebelião anticolonial de Túpaj Katari, no território que hoje corresponde à Bolívia.

A trajetória de Bartolina Sisa permanece como símbolo da resistência das mulheres indígenas diante da violência, da exploração e das tentativas de apagamento de seus povos. Sua memória segue viva nas lutas das mulheres que, em diferentes territórios, ocupam espaços de liderança, fortalecem suas organizações, transmitem conhecimentos ancestrais e constroem estratégias coletivas em defesa da vida.

Na Amazônia brasileira, as mulheres indígenas têm atuação fundamental na gestão e na proteção territorial e ambiental. Elas participam da elaboração de planos, dos processos de vigilância, das atividades produtivas sustentáveis e das ações de formação, comunicação e mobilização de suas comunidades. Ao mesmo tempo, enfrentam os impactos das invasões, do desmatamento, do garimpo, das mudanças climáticas, do racismo e das diferentes formas de violência que atingem seus corpos, seus povos e seus territórios.

Reconhecer esse protagonismo significa fortalecer a autonomia das mulheres indígenas, apoiar suas organizações e assegurar sua participação nos espaços de decisão. Significa também valorizar suas formas próprias de cuidar da terra, das águas, das florestas e de todos os seres que fazem parte dos territórios.

O projeto Dabucury: Compartilhando Experiências e Fortalecendo a Gestão Etnoambiental das Terras Indígenas da Amazônia Brasileira é uma iniciativa da CESE e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), com apoio do Fundo Amazônia/BNDES. O projeto contribui para o avanço da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), apoiando ações definidas e desenvolvidas pelos próprios povos indígenas.

Por meio dos editais das categorias Jenipapo e Urucum, o Dabucury apoiou 53 projetos, com um investimento de R$ 16.137.776,00. As iniciativas alcançam 60 Terras Indígenas, abrangendo uma área de 48.432.867 hectares na Amazônia brasileira.

Ao todo, 18.564 pessoas são beneficiadas pelas ações apoiadas pelo projeto. Desse total, 8.384 são mulheres indígenas, que representam cerca de 45% do público alcançado. Os números evidenciam a presença e a participação fundamentais das mulheres na gestão territorial e ambiental, na proteção dos territórios, no fortalecimento das organizações indígenas e na preservação dos conhecimentos ancestrais.

Na categoria Jenipapo, foram apoiados 19 projetos, desenvolvidos em 24 Terras Indígenas, abrangendo 13.321.114 hectares. A categoria Urucum reúne 34 projetos, presentes em 37 Terras Indígenas, que correspondem a 35.111.753 hectares.

Mais do que beneficiárias, as mulheres indígenas são lideranças, gestoras, comunicadoras, produtoras, educadoras e guardiãs de conhecimentos transmitidos entre gerações. Sua atuação fortalece as comunidades e amplia a capacidade dos povos indígenas de enfrentar ameaças, defender direitos e construir caminhos para o Bem Viver.

Neste 5 de setembro, o Projeto Dabucury celebra a força, a sabedoria e a resistência das mulheres indígenas. Fortalecer suas vozes e sua participação é fortalecer os povos indígenas, proteger os territórios da Amazônia e cuidar da vida e da natureza.